Criança feliz: o relato de uma infância

Dia das crianças e nada mais justo do que falar sobre elas. Na verdade, sobre mim, que sou a criança que eu conheço melhor. Nasci numa “cidade grande” mas tive o privilégio de ser uma criança feliz. Não que as que não viveram a infância que eu vivi não tenham sido, longe de mim julgar dessa forma. Mas tenho orgulho em dizer que eu fui feliz. E eu sabia!

Quando era criança morava numa casa no centro da cidade e dividia quarto com meus irmãos. A mais velha brigava comigo porque eu mexia nas bonecas dela e não as guardava no lugar. Não, o problema não era o fato de a boneca 2 milímetros a direita da posição que deveria. O problema é que elas não deveriam ser tocadas mesmo. Mas minha irmã era meu espelho, quem eu seguia pra cima e pra baixo e ainda sigo, mesmo à distância. Meu irmão, o do meio, era meu parceiro de tudo. De assistir TV e brincar no quintal a provar minhas primeiras experiências culinárias. Quem me ensinou a ser meio geek e que até hoje me salva quando o assunto é informática.

Em casa tinha uma goiabeira pra subir de vez em quando e aquela piscina de mil litros pra encher no verão (e no inverno também, quem conhece Montes Claros – MG vai concordar!). E a gente morava numa espécie de vila, onde as casas dos vizinhos davam em um pátio comum que a gente usava pra brincar. Já foi palco pra incontáveis histórias com meus amigos/vizinhos. Lá fui de professora a ranger amarela. Servia também de “campinho” para muitas partidas de futebol com final não tão feliz e dedões do pé sangrando. Tive a honra de brincar de carrinho de rolimã e de ter acompanhado meu pai na confecção do brinquedo pro meu irmão (e de alguns outros também). E a alegria de lamber a tigela com o restinho do bolo que minha mãe preparou nas tardes de sábado.

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Não podia faltar uma mini eu, né?

E como não citar a casa de vó? Pois é, esse sempre foi meu destino nas férias, feriados e qualquer outra folga da escola. Aquele monte de primo acomodado em um cômodo só da casa, com colchão espalhado pra tudo que é lado. A desculpa era dormir mas a gente adiava isso ao máximo. Brincar de porta bandeira no quintal, pular elástico ou pular corda. Replicar o fogão a lenha da minha vó em miniatura pra brincar de cozinhar. Subir no pé de seriguela ou de umbu e fazer uma guerrinha com as frutas lá em cima. Passar a tarde jogando (ou pelo menos assistindo) um campeonato de Mortal Kombat no Super Nintendo. Fazer do balanço na rede um parque de diversões (pra terror da minha vó) e do quintal um mundo cheio de aventuras.

Minha infância foi recheada de tudo que os anos 90 e 2000 proporcionaram para quem era criança: Chiquititas, Sandy e Júnior, as experiências do Mundo de Beakman, Castelo Rá-Tim-Bum (e toda a programação da TV Cultura), Família Dinossauro, Doug, Fantástico Mundo de Bob, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon (e toda a programação da Manchete). Comer salgadinhos só pra ter mais um Tazo, comprar Ki Suco na padaria pro lanche da tarde, pirulito Push Pop,  Kinder Ovo (que não custava 30 reais), guarda-chuvinha de chocolate (sabor vela), aquele brilho labial em forma de morango, Guaraná Antártica Caçulinha com pokebola e um Pokémon miniatura dentro, picolé Frutilly e uma coleção de palitinhos. Gibi da Mônica, Lego, ioiô da Coca Cola, pasta Tandy, fita K7, É o Tchan (sim, isso faz parte de muita infância por aí!), Tamagochi, os livros da Série Vagalume…

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Quando penso na minha infância lembro de muita, muita coisa (do tipo, nem um terço tá descrito aqui!). E numa dessas minhas reflexões sobre futuro lembrei dos planos que eu tinha quando era criança. Eu já sonhei em ser uma heroína, ajudar as pessoas e acrescentar algo positivo a vida delas. Também sonhei em ser jornalista pra espalhar coisas boas por aí. E sempre sonhei que, independente de onde ou eu estivesse depois de uns 20 ou 30 anos dali eu continuaria sendo feliz. Não, eu ainda não tenho um uniforme legal pra combater as forças do mal. Mas eu não deixei essa criança e esses sonhos morrerem e, por mais que agora não tenham a mesma forma que naquele tempo, eu ainda acredito que posso realizá-los.

Curiosa, engenheira, independente e detalhista. Adora viajar, tirar fotos e mais um monte de coisas.

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