A felicidade não é uma constante!

Frequentemente dizemos que nós não sabemos o que é que nós estamos faltando, até que coisas escorrem pelos nossos dedos e se vão. Nós não percebemos o tempo bom que tínhamos durante nossos dias de escola, caminhados pra uma vida apertada, perdidos em horas e horas trabalho. Não chegamos a entender o quão importantes são as pessoas e coisas até que eles nos deixem. Nós não apreciamos como estamos felizes. Até que o momento passa, e nós não podemos fazer mais do que olhar para trás admirando o quanto “Era feliz e não sabia!”.

Isso me leva a questionar a definição de que a maioria das pessoas dá felicidade – ou melhor, isso me leva a entender melhor porque é que a maioria das pessoas não consegue definir a felicidade inteiramente. Parece que a ela tem de ser decifrada por ângulos diferentes. Primeiramente, a felicidade só é verdadeiramente compreendida quando comparada com seu oposto exato, a infelicidade ou a falta de felicidade. Em segundo lugar, pode muito bem ser impossível ser sempre feliz no momento em si. Tudo gira em torno do modo como os seres humanos aprendem e compreendem o mundo ao seu redor.

Aprendemos coisas não só pelo modo como as experimentamos por nossos sentidos, mas também pela análise dos sentidos e, em seguida, experimentamos as sensações que este processo de análise, em si, é propício. Os pensamentos e emoções, que são o resultado de nossas experiências, inflamam em nós outras noções e outras emoções.

Nossas mentes são mecanismos complexos cheios de cordas entrelaçadas de experiências, ligando todas as nossas memórias, todas as nossas emoções e, em essência, todo o nosso ser. Isso faz com que a compreensão do mundo seja difícil. Isso também significa que compreender totalmente qualquer coisa requer experimentar a presença e a falta. Há diversas situações e sensações em que primeiro aprendemos o negativo de, antes de experimentar o positivo. Por exemplo, experimentamos primeiramente a fome antes de experimentar a saciedade. Primeiro experimentamos solidão e isolamento antes de sermos apresentados ao amor e ao cuidado. Isso, no entanto, não é o caso da felicidade

A felicidade não é um estado natural. É um estado elevado. Acredito que antes de experimentar a felicidade ou infelicidade, estamos em um estado de neutralidade. Não nos sentimos felizes ou infelizes. Nós experimentamos então a felicidade pela primeira vez  e somos introduzidos a este estado elevado da euforia. É algo tão agradável e muitas vezes está prontamente disponível em diferentes medidas, que sentimos que deveria ser regular e consistente.

Mas a felicidade envolve mais do que apenas o atual estado de coisas. Envolve nossas memórias passadas e o que nós acreditamos que nosso futuro nos trará. Se acreditarmos que nosso futuro é sombrio, nossa felicidade passada se torna negada. Se nos sentimos felizes há um segundo, não vamos perceber isso até agora, um segundo depois do fato. Mesmo assim, não seremos capazes de apreciar plenamente o quanto somos felizes até que nossos sentidos e estado retornem a um estado de neutralidade. 

A felicidade é um “estado” e, portanto, não uma constante. E o apego a este “estado” é uma das razões pela qual nossa cultura é como ela é. Se você não está feliz, é ruim. Criamos essa crença particular. Eu sei que ninguém quer ter que lidar com o sofrimento e, portanto, naturalmente buscamos maior felicidade geral, mas eu teria o cuidado de perpetuar a ideia de que a felicidade em si é o propósito da vida. Focalizar na felicidade como nosso objetivo final é auto-destrutivo. Estar em estado constante de felicidade é, simplesmente, impossível.

 

Engenheiro eletricista, professor de inglês, DJ, empreendedor, faixa roxa e instrutor de Jiu Jitsu, geek e, acima de tudo, caçador de sonhos!

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