A incrível arte de morar sozinho

Sim, morar sozinho é uma arte. Você pode até aprender a cozinhar com seus pais, ajudar na limpeza da casa, acompanhar as compras no supermercado, mas não vai ser a mesma coisa quando a casa for sua ou quando você dividir a casa com mais alguém. Morando em Viçosa, cidade universitária, divido meu apartamento com uma prima e mais uma moça mas, mesmo tendo as duas em casa tenho que resolver minhas coisas sozinha. A gente tem contas para pagar, supermercado, obrigações e responsabilidades que só dependem da gente pra serem feitas e gerenciar isso tudo é o que define a arte de morar sozinho. A primeira coisa que percebi foi que minha vida só depende de mim. É, parece comercial de escola de inglês mas é verdade. Quando a gente mora com os pais não presta atenção em pequenos princípios que já estão definidos porque sempre vivemos segundo eles. Mas quando a gente mora sozinho quem define se você pode ou não ter um cachorro, se vai comer arroz e feijão ou cheetos sabor requeijão no jantar ou quantas vezes o banheiro vai ser limpo na semana é você. No início você pensa que vai ser o enredo do Esqueceram de Mim (ou do American Pie) mas depois descobre que tem coisas que ninguém vai fazer por você e que são muito importantes.

A começar pela mágica da roupa suja: pois é, as roupas sujas que você deixava espalhadas no quarto, que desapareciam e magicamente reapareciam limpas e passadas não fazem isso sozinhas (eu sei, é triste!). Morando sozinho você vai ter que aprender a lavar suas roupas ou conhecer uma boa pessoa para fazer isso por você e vai descobrir que a marca do sabão em pó importa, que o tipo do amaciante importa, que o ciclo de lavagem da sua máquina (oi?!) importa, que não é aconselhado misturar roupas claras e escuras e mais um monte de coisa. E provavelmente vai perder algumas peças pra aprender isso, certamente algumas das que você mais gosta! Você também descobre que vai ter que ir ao supermercado algumas muitas vezes por semana para comprar o que quiser comer e aí entra de novo a decisão entre comer arroz e feijão ou cheetos sabor requeijão no jantar. Devo confessar que meus primeiros meses morando sozinha foram regados a instantâneos e enlatados e o resultado não foi muito interessante (tipo, 4 kg a mais). E, apesar de comer no restaurante universitário, onde a comida é mais parecida com a “de verdade”, eu senti bastante falta da comidinha da mamãe (“Hmm, leite com pêra!” – by Eddie). Meu conselho: defina as refeições que vai fazer em casa e faça uma listinha antes de ir ao supermercado pra não ter que voltar lá “n” vezes. Ah, e aprenda a cozinhar coisas básicas, um macarrão pode salvar vidas! Além disso, como eu disse, morando sozinho você adquire algumas responsabilidades que não tinha quando morava com seus pais. Mais que fazer compras no supermercado e limpar a casa, você agora tem que pagar contas que muitas vezes nem conhecia. É aí que surge uma grande amizade com o Excel e suas planilhas coloridas que ajudam a juntar o dinheirinho pra comprar o ingresso pra aquela festa ou pra comprar um presentinho pra você mesmo. Mais um conselho: tenha controle das datas de vencimento e dos valores de suas contas fixas por mês para não ficar perdido.

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E existe mais um detalhe precioso nessa vida morando sozinho ou com outras pessoas: você precisa ter paciência pra lidar com perrengues e com os hábitos das pessoas que moram com você e vai precisar dela também para se adaptar à nova condição. Principalmente quando você se muda pra outra cidade, pra estudar ou seja o que for, a opção “correr pra casa da mamãe” pode até estar disponível mas não vai ser a mais fácil. Conservar seus hábitos e fortalecê-los mas morar e conviver com outras pessoas pode ser uma grande oportunidade de crescimento. Durante essa experiência você pode conhecer pessoas de todo o tipo e aprender com elas. É importante estar aberto a viver com as diferenças (claro que não precisa se subordinar à ideias que você não apoia ou coisas que te incomodam) pra manter sua vida longe do ninho agradável.

Parece, mas não é tão difícil assim. Com o tempo você se apaixona pela vida que tem e vai achar estranho voltar pra casa dos seus pais e não ter na geladeira o que você costuma comprar ou quando percebe que todos já foram dormir porque a novela acabou e depois de alguns dias todo mundo, inclusive você, está incomodado em ficar dentro de casa sem fazer nada… rs! Morar sozinha foi uma das experiências que desenvolveram minha independência e te dá tanto responsabilidades quanto liberdade. A gente só tem que aproveitar tudo isso da melhor forma possível!

Curiosa, engenheira, independente e detalhista. Adora viajar, tirar fotos e mais um monte de coisas.

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