Por que Coréia?

Qualquer um que me conhece um pouco já me ouviu falando da Coréia (do Sul, pessoal. Essa é a hora que torço o nariz toda vez que tenho que explicar…). Mesmo com uma ou outra ressalva, não tem como negar a minha paixão pela cultura asiática e especialmente a Coréia (do Sul, gente. Na do Norte as coisas são muito mais complicadas). Ainda tomo coragem qualquer hora pra narrar um pouco das minhas aventuras e perrengues por aqui, mas queria compartilhar um pouquinho do porque vim para cá em 2012 e porque resolvi voltar agora em 2016.

Vamos lá! Ano de 2012 mais ou menos no meio da minha graduação, fiquei sabendo de um tal Programa Ciência sem Fronteiras. Iniciativa bacana do governo mandar estudantes para universidades renomadas ao redor do mundo (e aqui um brake para defender o programa pois todos que conheço e que aproveitaram da maneira certa até hoje colhem bons frutos do programa. Podia ser melhor administrado e criterioso mas isso é outra conversa). Lá fui eu me inscrever: “EUA, Irlanda, Portugal, Espanha… Ah, esses aqui não… Peraí, Coréia!? hmm… Esse aqui mesmo!”. Na época eu não conhecia as universidades coreanas, mas sempre fui fascinado pela Ásia e nada como ter uma oportunidade de experimentar uma cultura totalmente diferente e em vários aspectos oposta à cultura ocidental/brasileira.

Algumas centenas de vezes eu encarei as reações estranhas das pessoas ao dizer que eu iria pra Coréia: “Vai fazer o que lá? Comer cachorro?”. E, de alguma forma, quanto mais eu ouvia esse tipo de coisa mais certeza eu tinha de que estava tomando a decisão correta. Tudo foi se encaminhando, documentos, visto, matrícula, passagem comprada… tudo pronto pra o ano que viria ser uns dos mais importantes e transformadores da minha vida!

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Dia 24 de agosto de 2012, depois de de uma passadinha rápida em Paris pra uma foto na Torre Eiffel e de 36 horas de viagem, desembarcava eu no Incheon International Airport. Daí ainda me falta uma conexão, porque o louco aqui ainda escolheu morar no interior do país (Pohang “cidadezinha” com mais de 400 mil habitantes). Louco como sou entre a espera pelo próximo vôo resolvi “dar um rolê” em Seoul. Quanto eu sabia de coreano? Nada. Quantas vezes eu já tinha saído do país? Nunca. Mas quem tem boca (na minha versão do ditado) vai à Ásia!. Aí sim a ficha caiu, em frente ao Palácio Gyeongbokgung desferi as lindas e inesquecíveis palavras: “Fudeu! Que eu to fazendo nesse lugar?”.

Passada a histeria da chegada, voltando pro aeroporto e terminando de chegar ao meu destino eu já ia notando cada detalhes, cada diferença. Era sim tudo que eu esperava e muito mais. Cada dia por aqui foi e sempre é uma surpresa. Na universidade, Pohang University of Science and Techonology, me dei conta de que estudava numa das mais conceituadas universidades do continente oriental e do mundo. Nos restaurantes e nas muitas surpresas gastronômicas eu tive certeza que não vivo sem comida mineira mas que nem só de feijão vive o homem! E comi sim de tudo: vegetais fermentados (kimchi), toucinho de barriga (sangyopsal) e até cachorro. Os coreanos (ao menos os universitários e colegas de trabalho de convivi) são um povo tímido, disciplinado, muitas vezes inseguro, muitas vezes não tão organizado mas no fim das contas amistoso. Gente que admira seu esforço para aprender o idioma e a cultura deles, que as vezes parece até inocente na forma de reagir a várias coisas. Anyways, um jeito “meio louco” mas que eu aprendi a gostar muito.

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Foto: Tati Fernandes

Acho que não preciso nem mencionar coisas como um dos melhores sistemas de transporte do mundo, né? Além da infraestrutura, a sensação de segurança e algumas coisas de que a gente se queixa muito no Brasil. Não tem nada a ver com complexo de vira-lata”. Tem muita coisa que me tira do sério e não me agrada aqui na Grande Nação Coreana, e muita coisa do Brasil que sinto falta. Não existe esse ou aquele lugar perfeito e me atrevo a dizer que em lugar nenhum do mundo. Acho também que por isso eu resolvi “pegar a estrada” e conhecer o máximo desse mundão. Garanto que é bem fácil perceber que quando se tem respeito à diversidade e a cultura das pessoas, elas te recebem bem em todo canto do mundo (sim, eu sei que existem exceções!). Então, por que não experimentar o melhor ( e algumas vezes o “pior”, porque isso pode ser relativo) que o mundo tem pra lhe oferecer?

Sobre a Coréia, parafraseio a descrição do Excelentíssimo Sr. Embaixador Edumundo Fujita (In memoriam): ” A Coréia é um tesouro escondido na Ásia!”

Engenheiro eletricista, professor de inglês, DJ, empreendedor, faixa roxa e instrutor de Jiu Jitsu, geek e, acima de tudo, caçador de sonhos!

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