Procrastinação: Por que não mais tarde?

Procrastinação! De acordo com o dicionário: “Deixar para depois. Usar delongas. Adiar, postergar.” Mas, sendo prático e traduzindo em miúdos, a melhor definição que encontrei para a palavra foi: “Estar ocupado fazendo coisas que você não deveria, para evitar fazer tudo aquilo que você realmente deveria estar fazendo!”

Tive certeza que devia escrever sobre esse assunto, que certamente é um problema não só meu, quando nessa semana assisti a palestra “Inside the mind of a master procrastinator”.  Para aqueles com preguiça de assistir, o blogueiro Tim Urban fala sobre as suas experiências se apresentando como um super procrastinador. De uma forma descontraída ele apresenta uma perspectiva bem interessante que diversas vezes é o elemento que nos prende ao ciclo de procrastinação. Urban apresenta três personagens de nossa mente o “racional”, o “macaco da gratificação instantânea” e finalmente o “monstro do pânico”.

Esses três carinhas fazem muito sentido para um procrastinador. O racional supostamente deveria analisar as possibilidades e tomar as decisões lógicas para  melhor realizássemos nossas tarefas. Contudo, a armadilha da gratificação instantânea acaba por normalmente vencer toda lógica. É nesse momento que chegamos ao ponto de rolar por toda uma imensa timeline no Facebook, assistir todos os vídeos de bebês, cabras, animais fofos e tombos estilo vídeo-cacetada no Youtube. É inegável, todos já passamos por este momento! Quem já não se viu perdido nesse mar de informações da internet fazendo buscas sobre onde habitam e como se reproduzem os ornitorrincos em um momento em que com certeza você estava atolado de coisas pra fazer? E quanto mais coisas pra fazer, mais enrolação. Mas, por último e talvez até mais importante, vem o “monstro do pânico”, o qual talvez seja responsável pela nossa procrastinação reincidente. Sabe aquele noite virada na véspera da prova? Sabe o mutirão para realizar os relatórios e trabalhos de faculdade? Sabe aquela adrenalina de enviar um email respondendo algo as 23h59 quando o prazo é às 0h?

E o pior, sim, PIOR é que ainda dá certo. E por isso digo que o “monstro do pânico” complica ainda mais a situação. Pois, com ele na cola do macaco as coisas fluem e mesmo aos trancos e barrancos acabam acontecendo. Aí acabou, está criado o ciclo vicioso! Estabelecemos tarefas, enrolamos até os 45 minutos do segundo tempo, ativamos o nosso “modo turbo” dando tudo que temos na última hora e isso se repete em loop infinito. Afinal de contas, se deu certo uma vez… Agora, imaginem, se somos capazes de fazer tudo em poucos dias, poucas noites, poucas horas, imagina do que seriamos capazes se trabalhássemos com planejamentos reais, menos stress e pensando em objetivos e resultados de longo prazo? Temos uma tendência natural ao imediatismo, e por isso não analisamos o grande plano. Saciamos desejos pequenos em detrimento daquilo que realmente nos traria benefício em prazos um pouco mais longos.

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Mas, enfim, juntando tudo isso e pensando no que tenho feito recentemente, é interessante ver como atos simples (preste atenção, eu não disse fáceis!) tem me ajudado a melhorar um pouco sempre. Estou longe de ser a pessoa mais organizada e pontual do mundo, mas isso me deixa incomodado. Diversas vezes a impressão que tive é que ser descompromissado se tornou algo “OK” e várias vezes até engraçado, o que me parece uma inversão de valores bem estranha. Não existe formula mágica, inclusive acho que vale uma reflexão e que cada um deve encontrar o seu próprio jeito de vencer a inércia. No meu caso, eu tento tornar meu objetivos e os possíveis resultados algo visual. É, visual mesmo, sair escrevendo pra tudo que é lado o que tenho que fazer e onde isso vai me levar. Isso faz com que naturalmente eu pense se o que estou fazendo no momento está de alguma forma me aproximando daqueles meus objetivos ou tarefas. Entendendo os porquês e que diversas distrações te levam a lugar nenhum, fica um pouco menos difícil fazer as coisas produtivas.

Sonho sem atitude é delírio…

Já perdi as contas de quantas vezes respondi perguntas do tipo: “Nossa, como você dá conta de fazer tanta coisa?”, a resposta é bem simples e direta: “Fazendo!”. Pode parecer rude mas, pensemos um pouco. O tempo é o mesmo para todos, ideias todos temos (umas boas, outras nem tanto, mas não vem ao caso agora…). Contudo, o que nos diferencia é a execução. São poucos os dispostos a abrir mão dessas satisfações momentâneas que não levam a lugar nenhum para fazer o que realmente interessa. Sem me delongar muito mais, sugiro que se desafiem e pensem em 3 aspectos básicos para execução de tudo que tiverem de fazer.

mindfulness

O gatilho,  aquilo que nos pensar no assunto, o start. O comportamento, o como, coisas que te levem na direção desejada, que conduzam aos objetivos. E finalmente, a recompensa, a satisfação de se realizar o que se planeja. Não necessariamente recompensas financeiras, prêmios, nada disso. Sim, a recompensa pessoal de mostrar para si que é capaz. Tenha objetivos a longo prazo (“Think big!”) mas dê um passo de cada vez (“Start small!”). E lembrem-se que as únicas coisas que são “impossíveis” são aquelas que nos nem sequer tentamos fazer!

Engenheiro eletricista, professor de inglês, DJ, empreendedor, faixa roxa e instrutor de Jiu Jitsu, geek e, acima de tudo, caçador de sonhos!

3 Replies to “Procrastinação: Por que não mais tarde?”

  1. Vinícius Gusmão says: Responder

    Cacete!
    Muito bom. Gastei uns cinco minutos lendo isso mas provavelmente farão os próximos cinco dias serem bem mais produtivos e rentáveis. Isso até eu precisar novamente de mais uma dose de disciplina.
    Parabéns 😉

  2. Aline Carvalho says: Responder

    Texto maravilhoso!

    1. Obrigado Aline! Estamos retomando as atividades do blog, continue acompanhando. Os comentários e feedback são sempre muito bem-vindos!

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