Sobre o mar e eu…

Eu que me achava tão dona de mim um dia me entreguei pro mar. Confesso, tinha medo. Mas me vi embalada numa maré gostosa. Uma onda veio devagarzinho, molhou meus pés. Quando eu dei por mim a onda já não era tão mansa. Me derrubou em um embolar de coisas boas e foi embora. Me fez não ter tanto medo do mar, mas me mostrou sua incerteza. Hora calmo, hora agitado. A onda tinha que voltar. Talvez eu a visse se aproximando ao longe. Talvez não, deixando ela me pegar de surpresa, despenteada, sem nem me preparar pra recebê-la. Voltou, algumas vezes. E, olha só, me derrubou de novo.

Eu tinha medo do mar incerto e não era dessas de arriscar. Só que dessa vez foi diferente. O mar me envolveu, me fez querer tentar, dar uma chance. Não, eu nunca soube as regras. Não sabia se tinha que ser assim ou assado e fiz do jeito que senti que valia a pena. Sem seguir os padrões ou as receitas. “Se joga, menina!”. E não é que deu certo? Me joguei no tal mar de cabeça mesmo, sem pensar se era fundo, raso ou se tinha alguém pra me segurar. Eu investi. E vi a maré me levar. Fazendo meus olhos brilharem, enchendo minha cabeça de sonhos e meu caderninho de planos.

Enfim, naveguei. E no embalo da onda que veio e foi eu também fui. Entrei no ritmo, como numa dança lenta e talvez desengonçada. Me senti segura pra ir e pra voltar e nesse vai e vem me acostumei com o balanço. Mas eu só estou começando é claro que errar pode acontecer. Me confundi em meio as ondas. Perdi o ritmo. Como se outra música tocasse pra mim. Como se no meu mar fosse tempestade e a onda que me embolou em sentimentos bons fosse agora me afogar e eu não conseguisse mais nadar. Eu afundei, o mar me assustou, me deixou com medo.

Mas, afinal, a onda que me levou pro mar não me prometeu só calmaria. Me encheu de vontade de navegar com ela e eu fui. E não foi só uma a tempestade e nem só mar calmo antes delas. E não é pra ser simples, sem luta, sem os momentos difíceis. Melhor que seja com tudo bagunçado e tumultuado em mim. Que seja com tempestade, pra enfrentar os raios e trovões. Com medo mesmo. Pra tirar do sério, tirar o sono. Pra fazer tentar, surpreender, improvisar e descobrir, como foi quando o céu estava claro. Que seja pra navegar em mar calmo, curtindo o sol. Mas que seja pra eu afundar, me afogar e tentar voltar pra superfície, também. Que seja assim pra me desafiar, me fazer querer mais e melhor. (A)Mar calmo nunca fez bom marinheiro, não é?

Curiosa, engenheira, independente e detalhista. Adora viajar, tirar fotos e mais um monte de coisas.

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