Temple Stay: aprendendo sobre budismo em um templo coreano

Eu adoro viajar. E uma das atividades mais esperadas do programa de coreano que estou fazendo são as viagens culturais. Uma dessas experiências foi diferente e bastante interessante. Passamos uma noite em um templo budista, conhecendo  como os monges vivem nesses lugares e aprendendo um pouco sobre o budismo.

Nossa viagem começou em uma quinta-feira de manhã, quando pegamos o ônibus da universidade em direção ao templo em Guinsa (구인사), a uns 150 km a sudoeste de Seul. Depois de cerca de 3 horas de viagem chegamos ao templo que nos recebeu com uma entrada bastante íngrime. Era outono e a paisagem compensou a subida sofrida. Chegamos ao templo e no “check-in” no alojamento recebemos nossos uniformes.

Seguimos para as nossas atividades. A primeira delas foi a confecção do nosso primeiro souvenir. Exercitamos a criatividade fazendo uma pulseira de contas com as cores que quiséssemos. Depois do momento artesanato, conhecemos nosso anfitrião e ele nos explicou sobre nossa programação. Cerimônia, meditação, conversa com os monges e ele frisou que nada era obrigatório, se não estivéssemos confortáveis para alguma das atividades poderiamos simplesmente nao participar. Ele também nos ensinou como nos curvar, movimento bastante repetido nas cerimônias budistas: uma reverência com as mãos unidas, então por três vezes nos ajoelhamos e nos prostramos até tocar a cabeça no chão, seguido de mais uma reverência.

Fizemos um passeio pelo espaço do templo, que é bem grande. Guinsa tem cerca de 15 mil metros quadrados e é um templo relativamente novo, pouco mais de 70 anos. Fizemos também uma pequena trecking pela montanha. Muitas pessoas visitam o espaço principalmente nos feriados religiosos, para praticar a fé budista ou apenas pelo passeio. Na universidade que estudo coreano (que é budista) os alunos do conselho de estudantes e os professores tem datas reservadas à visitar o local, onde ficam durante um final de semana.

Depois do passeio participamos da cerimônia da tarde. Antes de começar, a cerimônia é anunciada com o soar de um sino grave. Tiramos os sapatos e entramos no templo. Um monge recita as palavras enquanto, tocando o Moktak (instrumento budista), nós nos prostramos em frente ao altar com três budas dourados sentados. Depois o mesmo é feito para os dois outros altares. Cerca de meia hora depois a cerimônia terminou.

Seguimos para o jantar. Monges não comem carne e para paladares brasileiro o cardápio vegetariano pode ser bastante estranho. Entre conservas de vegetais, sopas, arroz e outros, me servi modestamente até encontrar pedaços suculentos de abacaxi. Aqui frutas são bem caras então não comemos com tanta frenquência quanto no Brasil.

Nossa última atividade do dia foi de meditação. A monge que nos conduziu é um encanto. Sempre com um sorriso suave no rosto, falando hora coreano, hora inglês, nos ensinou um pouco da meditação. Respirar, manter a postura,  manter o mesmo sorriso suave que ela tinha e, repetindo o mantra manter sua mente limpa e tranquila. Eu sei, parece a descrição de uma missão impossível. Mas funciona e te deixa mais tranquilo.

Uniforme, outono, jantar e chá com os monges durante a estadia.

A recomendação era então para irmos dormir, já que tinhamos a cerimônia da manhã para atender. As 4h da manhã, uma cerimônia um pouco mais longa, mas no mesmo formato da que participei. Pois é, da das 4 da manhã não participei. Guardei minhas energias para, mais tarde, meditar enquanto caminhávamos num vale incrível perto do templo. Essa foi a “primeira” atividade do segundo dia. Depois disso visitamos outro templo e fomos convidados à um banquete de frutas com os monges.

Na última atividade programada tomamos chá com os monges e nesse momento poderíamos perguntar o que quiséssemos a eles. Nos explicaram um pouco mais sobre o budismo, sobre nossa missão na Terra e a importância de fazer o bem sem pensar em recompensas. Um bate papo bem humorado e bastante esclarecedor.

Eu não conhecia quase nada do budismo antes de vir para a Coréia. Pesquisei um pouco sobre depois da experiência e me interessei ainda mais. O budismo coreano tem foco na meditação, chamado de Zen Budismo. Eles acreditam na prática, em viver a experiência e em fazer o bem.

Viver o Temple Stay foi muito interessante e mostrou pra nós o resultado de se concentrar em manter uma mente saudável, já que é ela que controla seu corpo. É importante aproveitar cada momento de vida e fazer o bem aos outros e à si mesmo. Agir, experimentar e se satisfazer com cada experiência vivida. Acredito que toda informação que transforma pessoas de forma positiva deve ser aproveitada sem discriminação. E meu primeiro contato com o budismo me mostrou que eles tem mesmo muito a nos ensinar.

Curiosa, engenheira, independente e detalhista. Adora viajar, tirar fotos e mais um monte de coisas.

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