Quando foi sua última vez fazendo algo pela primeira vez?

Na correria da nossa vida a gente acaba seguindo o mesmo roteiro todo dia. Acorda, toma café, sai de casa atrasado, trabalha, estuda, engole informações junto com o almoço ou o lanche, reza pro dia acabar logo e volta pra casa pra descansar do mesmo dia todo dia. E nessa rotina eu te pergunto: quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Há um tempo atrás eu estava fazendo faculdade e seguindo esse tipo de rotina. Eu sempre tive o sonho de aprender a falar inglês. Por falta de dinheiro, de tempo ou excesso de desculpas eu adiei os meus estudos. Mas eu vi que queria demais pra continuar adiando. Eu queria viver algo novo, e botei na cabeça que minha chance para realizar esse sonho era um intercâmbio. Enfiei a cabeça nos estudos, pedi ajuda, enfrentei o medo do TOEFL, de não ser aprovada por ter a nota mínima e o máximo de carga horária completa na faculdade permitida pra entrar no tal processo de graduação sanduíche. Mas fui. E fiz.

Há um tempo atrás eu estava entrando em um avião para São Paulo pela primeira vez. E de lá para a África do Sul. E de lá para a Austrália. Eu estava saindo do meu país pela primeira vez. Iria passar um ano falando inglês com pessoas que eu nunca havia visto. Morando numa cidade enorme. Viajando com uma mochila nas costas. Tudo pela primeira vez. Toda essa experiência pela primeira vez me fez sentir mais viva. Eu me permiti viver, conhecer e descobrir coisas que nunca haviam passado pela minha cabeça. Pra tudo isso eu só precisei decidir, agir e realizar.

E quando pergunto quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez, fugindo da sonoridade dessa frase, te proponho pensar quando foi a última vez que você tirou aquele sonho ou desejo da gaveta e resolveu realiza-lo. Porque não depende do seu namorado, da sua mãe, do seu professor ou do seu chefe te liberar pra fazer isso. Depende de você acordar num belo dia, desse jeito simples mesmo, e resolver fazer. Depende de você viver momentos que te façam apreciar a vida.

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Eu confesso que voltei pra monotonia depois da minha aventura de realizar meu sonho. Voltei pra rotina de todo dia. Pro desejo de que acabasse logo pra chegar o dia de descansar. Me tornei, como disse Clovis de Barros Filho, uma suicida de gota em gota por torcer que o tempo passasse logo. Mas, se quer saber, não vale a pena. Não vale viver a vida esperando que o tempo passe, que os ciclos cheguem ao fim, esperando o dia que você vai ter a oportunidade de seja-lá-o-que-for. A gente tem que criar essa oportunidade. Fazer ser hoje. Ou, pelo menos, que hoje você fique mais perto dessa oportunidade. Não precisa ser algo grande. As vezes sua vontade é só ir ao cinema ver aquele filme em cartaz mas nenhum amigo quer ir com você. E porque não ir sozinho? As vezes o sonho é conhecer aquela cidade que todo mundo diz que é linda. E porque não entrar no ônibus e chegar lá?

É fácil levar uma vida banal, um mero encadeamento de dias. Mas quanto tempo a gente perde com isso? Porque, sim, a vida passa nesse segundo que você quer que a vida acabe. Você perde vida assim! O tempo não volta então é melhor gastar ele com uma vida fantástica, que colocando a culpa no destino. Procure viver momentos que te levem a desejar que sejam eternos. Viva primeiras vezes que te deêm prazer por pensar que você as viveu intensamente. O que a gente vive não é repetível e buscar por esses momentos de entrega aumentam a chance de a gente torcer menos pra vida acabar.

Curiosa, engenheira, independente e detalhista. Adora viajar, tirar fotos e mais um monte de coisas.

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