Sobre viajar sem ter planos: América do Sul

Em janeiro de 2015, tive a honra de receber no Brasil dois grande amigos. Conheci Hayden e Seong Su em 2013 quando morei na cidade de Pohang, na Coréia. Engraçado que a gente sempre discutia sobre esteriótipos mas no fim das contas eu me encaixava de alguma forma no que eles acharam que seria “o brasileiro“: adoro música, dança, futebol e coisa e tal. Quando retornei ao Brasil após o intercâmbio eles já haviam demonstado o interesse de vir passar férias na América do Sul. Conversamos um pouco e fizemos mais ou menos uma rota: Rio, São Paulo, Iguaçu, Paraguai, Uyuni, La Paz, Copacana (Bolívia) e Cuzco.

Ainda não estava nada certo. Mas os caras estavam animados para vir. Seria meu segundo mochilão, mais ou menos 25 dias viajando. Como eu estava bem apertado, tinha deixado eles fazerem a rota e não me atentei que eu não tinha ideia do que eram alguns dos lugares (que ótimo anfitrião!). Sinceramente, eu não tinha ideia de onde eram vários dos lugares então chequei na internet e pensei: “Bacana! Vamos ver como vai ser isso aí!“. Resumindo um pouco a história do mochilão (que eu conto completa depois qualquer hora, incluindo os perrengues que são as partes mais legais), eles compraram passagem, confirmaram as datas e me avisaram “Estamos chegando!“. Começamos o roteiro no Rio de Janeiro, visitando todos os cartões postais (Ah, durante a viagem utilizamos AirBnb sempre que possível – Super recomendo! Economizamos muita grana e ficamos em lugares ótimos). Depois, São Paulo, em seguida um chá de cadeira no busão e muitas horas depois estávamos em Foz do Iguaçu.

Digamos que inicialmente os meninos queriam a viagem planejadinha e teoricamente esses já tinham feito isso do início ao fim. Aos pouquinhos e especialmente quando chegamos no Sul do Brasil convenci eles das vantagens de não ter tudo 100% planejado, dar um espacinho pro acaso. Ter a opção de mudar a viagem durante e percurso. E adivinha? Foi o que fizemos! “Esquece Paraguai.” Depois de um dia super quente nas Cataratas do Iguaçu, entramos num bus, seguindo sugestão de um viajante qualquer e lá íamos nós pro norte da Argentina (totalmente fora do planejado). Mal sabíamos nós que esses ajustes nos reservariam ótimas surpresas.

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Algumas horas depois, descíamos na cidade de Salta. Lugar pacato, tranquilo. Perfeito pra nós que estávamos numa correria louca devido ao curto tempo pra conhecer tanta coisa. A gente precisava de um descanso e para isso achamos o lugar perfeito. Por dois dias nos permitimos acordar tarde, e a cidade toda fechava a tarde para a “siesta“. Foi providencial no meio da viagem encontrar um lugar pra recarregar as baterias e prosseguir. Subimos para cruzar a fronteira e um dia depois estávamos nos preparando para entrar no Salar de Uyuni, na Bolívia. O lugar é simplesmente fascimente. Indiscritível! O que posso dizer é: “Vá e veja com seus próprios olhos!“.

Seguindo a viagem, encontramos muita gente bacana. Teve horas de trem, vários outras horas de ônibus, passeio de bike na Death Road, travessia de balsa, barco e tudo que tínhamos direito.Foram 24 dias de viagem, 24 dias inesquecíceis. Acompanhei os meninos até Copacabana (Bolívia), de onde eles seguiram para Cuzco e eu infelizmente tive que voltar. É ainda ficou faltando por um pezinho em Machu Pichu, mas qualquer hora dou um chego por lá.

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Não precisou de muito para chegarmos a uma conclusão. Para viajar, era sim importante tem uma referência. Algo como “must see places”, mas você deve se permitir. As experiências que tivemos ao compartilhar espaços, comida, palavras e experiências com gente diferente é o que mais te marca. A foto naquele ponto turístico bacana é fenomenal e vai sim te dar várias curtidas. Em um espaço curtíssimo de tempo, encontramos gente dos 6 continentes e nada me marcou tanto como a conversa com aqueles viajantes aleatórios que encontrei na estrada. Viajar é se permitir, ser chamado de louco por as vezes não saber o que vai ser o dia de amanhã mas estar aberto para aprender e viver com intensidade um dia de cada vez!

Bem, que posso dizer, acho que “Eu nasci com pé na estrada e a cabeça… lá na lua!”

Engenheiro eletricista, professor de inglês, DJ, empreendedor, faixa roxa e instrutor de Jiu Jitsu, geek e, acima de tudo, caçador de sonhos!

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